15 de março de 2011
noite
transpassado de noite
de peito nú sobre o marmore frio dos meus lençois
debruçado negligentemente nos meus escombros
sob um céu em farrapos
assombros funestos
perturbam na torrente oscilante de sombras
tudo é vazio, tudo é frio, tudo é sem sentido
como se todos estivessem sempre de partida
como se todos estivessem sempre fugindo
absorto me liberto
me vejo no meio do vai e vem dos insetos
que engendram e resolvem a vida ridicula
em suas colméias luzentes
lacivas, lépidas
apenas mais um sonho acordado
olhando na janela do mesmo onibus
no mesmo horário, na mesma céla metálica
no mesmo simulácro onde me acotovélo todo dia
com o resto dos animais desalmados como eu
vejo vagabundos da janela, andarilhos, malabares
tento entender a odisséia espiritual, a inquietação
mas tudo aflui pro mesmo ''non sense'' de sempre
tudo não faz sentido nenhum
tudo é mentira e tudo é patético nessa vida
tudo inevitavelmente tende pro nada
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ResponderExcluirextremamente profundo...
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